Tem que tirar a bala?
15/04/2009
Toda vez que se fala em um baleado logo vem a sua mente: tem que tirar a bala!
Inclusive é a primeira coisa que os familiares perguntam após o atendimento de um baleado: dotô, deu pra tirá a bala?
Essa é uma das maiores bobagens propagadas e cristalizadas que existem sobre saúde.
É praxe no cinema e TV cenas em que um baleado tem uma súbita melhora, e tudo parece resolvido, quando retira-se da ferida o projetil alojado no corpo.
Sendo claro: não é o chumbo que faz mal, e sim o dano causado pelo trauma!
Não é óbvio isso? É!
Imagine por exemplo um tiro que atravessa a coxa.
Hipótese 1 : no caminho ele faz uma lesão de um tronco arterial e uma fratura temos uma situação, complicada.
Hipótese 2: no caminho só ocorre lesão de pele, gordura e músculos temos outra situação, simples.
E se a bala não atravessa e fica alojada? Depende, mas geralmente não há problema algum!
Agora imagine um tiro no tórax ou no abdomen. Existem MUITAS coisas para serem lesionadas, algumas mais e outras menos importantes. O mais importante é que as lesões sejam tratadas. Se um pedaço do intestino fica aberto, te pergunto, de que adianta retirar a bala e deixar o intestino vazando dentro da barriga?
Entretanto, existem algumas situações que realmente existe indicação para a retirada da bala. Eis-las:
- Logo abaixo da pele, em área de pressão onde pode causar dor quando se senta ou deita.
- Por desconforto cosmético pela aparência da bala abaixo da pele.
- Em um espaço articular (joelho, cotovelo, etc.)
- No globo ocular.
- Dentro de um vaso sanguíneo causando isquemia (falta de sangue a área irrigada) ou risco de embolização (ops, escapou a bala) para o coração, pulmão ou vasos periféricos.
- Comprimindo um nervo ou raiz nervosa causando dor.
- Dentro de um abscesso (coleção de pús) – provavelmente porque estava impregnada de roupa ou sujeira.
- Por motivos legais (investigação forense) e o cirurgião e o paciente estão em acordo ponderando os riscos do procedimento.
- Níveis elevados, e documentados, de chumbo no sangue, geralmente em crianças e muitos meses após o trauma (extremamente raro).
Original aqui.


15/04/2009 at 17:21
Podendo passar na porta giratória dos bancos…tá valendo!